segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Insight que demorou mais de dez anos pra chegar...

Estava eu em atividades cotidianas ordinárias e lembrei de um acontecido há muito, que até tive dificuldade de avaliar quanto tempo... Dez anos? Talvez um pouco mais. O fato é que revivi e ressenti o fato. Um belo dia estava prestes a fazer uma viagem, partindo da rodoviária. Encontrei o local de embarque e subi no ônibus, levando a bagagem até o meu assento, procurando acomodá-la no compartimento superior. Eis que havia um tipo no ônibus, que eu conhecia de vista, sabia quem era e o que fazia, e não gostava da sua personalidade. Eis que o destino me colocou em um pequeno quase conflito com esse sujeito, que nem lembro mais o por quê. Lembro apenas de uma parte do diálogo que tivemos. Disse eu: - Pode ficar à vontade. Ao que me respondeu: - Eu estou à vontade, eu sou daqui. Bem, a sua resposta arrogante despertou sentimentos ruins naquele momento, sentimentos de ser desafiado em público, de ser tratado de forma rude na frente de outros. Sentimentos de ultraje porque, afinal, eu também era local, embora pudesse não parecer pela minha aparência. O sujeito, enfim, já tinha uma personalidade exibicionista e egocêntrica, estava ao lado de uma bela estrangeira, que provavelmente estava cortejando, então, não poderia ter sido diferente. O fato importante é o quão tudo isto me marcou e por quanto tempo. E quanto tempo levou para que eu encontrasse a resposta certa, a resposta do enigma, a resposta que eu deveria ter lhe dado naquele momento. A maioria dos meus pensamentos ressentidos levaram para o conflito e o combate propriamente dito, a agressão física, típica das minhas fantasias mais frequentes, onde eu subjugava o rival por meio da força. Naturalmente, nas imaginações de sucesso, estava desconsiderada a possibilidade de revide, além das consequências nefastas da agressão. O fato é que, após anos de lembranças ocasionais, que levavam sempre ao revide, cheguei a um insight, que considero a resposta certa. Deveria ter-lhe respondido: - Amigo, falei para se sentir à vontade por cortesia. Sei que o amigo é daqui, até temos amigos em comum (de fato), e por isso quis ser gentil e iniciar, quem sabe, uma amizade. Enfim, a resposta certa desconsidera a contra-resposta, aliás, ela prescinde de contra-resposta porque ao encontrá-la, senti-me pleno, senti-me contemplado na minha relação comigo mesmo e no meu julgamento de mim mesmo em relação ao outro. Caso tivesse manejado meus sentimentos no momento para a imediata conciliação, teria dito algo parecido e, quem sabe, teria-o desarmado de respostas agressivas. Hoje, de acordo com meus valores, considero certa a resposta que chama à consciência da coletividade pacifica, do respeito mútuo, da fraternidade. Gostaria que esse sentimento de que isso é certo perdurasse e que esse insight, a partir de agora, sirva para que tome decisões mais rápidas e precisas em próximos conflitos. Até o próximo conflito!

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